A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) divulgou, nesta sexta-feira (19), os resultados da segunda fase da Operação Alienatio Ficta, que investiga um dos maiores esquemas de fraude veicular já identificados no estado e no país. A ação resultou na prisão de suspeitos em diversos estados e na desarticulação de uma organização criminosa que teria movimentado entre R$ 100 milhões e R$ 300 milhões, fraudando financiamentos e seguros de mais de dois mil veículos.
As investigações, iniciadas em outubro de 2025, revelaram um complexo esquema que vitimava fabricantes, concessionárias, instituições financeiras e até pessoas físicas. A operação se estendeu por várias unidades da federação, demonstrando a amplitude da atuação do grupo criminoso.
Operação Alienatio Ficta: Prisões em Múltiplos Estados
Nesta fase da operação, policiais civis cumpriram mandados de prisão e busca e apreensão em diferentes localidades. Cinco pessoas foram detidas em cidades como Taubaté (SP), Pindamonhangaba (SP), Divinópolis (MG), Foz do Iguaçu (PR) e em uma cidade da Paraíba. Além disso, diligências foram realizadas no Rio de Janeiro para identificar outros envolvidos.
Desde o início das investigações, um total de nove suspeitos já foram presos, conforme informou o delegado Filype Utsch, responsável pelo caso. A ação visa aprofundar a apuração sobre a estrutura e os membros da organização criminosa.
O Complexo Esquema da Fraude Veicular
O delegado Filype Utsch detalhou o funcionamento do esquema, que se expandiu a partir de uma montadora com cerca de 500 veículos e alcançou milhares de carros em todo o território nacional. A fraude operava da seguinte maneira:
- Clonagem de Dados: Os criminosos clonaram dados de veículos para simular compras, contando com a colaboração de funcionários de concessionárias e agências, que solicitavam financiamentos a bancos.
- Veículos Inexistentes ou em Estoque: Em muitos casos, os automóveis sequer estavam em circulação ou ainda permaneciam nos pátios das montadoras.
- Manipulação de Vistorias: A quadrilha manipulava dados em empresas de vistoria, que validavam informações falsas para que os bancos liberassem os financiamentos, conferindo uma aparência de legalidade aos licenciamentos dos veículos clonados.
- Emissão de Documentos: As informações dos automóveis eram lançadas nos sistemas dos Detrans para a emissão dos documentos de transferência de propriedade, permitindo que a quadrilha recebesse o valor do financiamento.
- Coleta de Informações: Os suspeitos também coletavam informações de veículos nas ruas, fotografando placas para aplicar os golpes.
- Fraudes em Seguros: O grupo realizava seguros dos veículos e, posteriormente, registrava falsos furtos para receber as indenizações, ampliando o lucro ilícito.
Prejuízo Milionário e Bens Apreendidos
A Polícia Civil ainda calcula o valor exato do prejuízo total, mas estima que o esquema tenha movimentado entre R$ 100 milhões e R$ 300 milhões desde 2024. Mais de dois mil veículos já foram identificados como parte das fraudes.
Como resultado da operação, cerca de R$ 300 mil foram bloqueados em contas bancárias, e aproximadamente R$ 5 milhões em carros de luxo foram apreendidos. Entre os veículos de alto padrão recuperados estão modelos como Porsche Macan, Mercedes-Benz e Dodge Ram, que, segundo a polícia, eram utilizados pelos investigados para manter uma vida de luxo.
Um dos alvos de busca e apreensão foi uma casa em um condomínio de alto padrão no interior de São Paulo, conforme ilustrado na imagem da operação, evidenciando o estilo de vida ostentatório dos criminosos.
Próximos Passos da Investigação
O delegado Filype Utsch adiantou que a investigação prosseguirá para uma terceira fase. O foco será a identificação e responsabilização do “elo bancário” e de “pessoas vinculadas ao serviço público” que possam ter facilitado ou participado do esquema criminoso. A PCMG reforça seu compromisso em desmantelar completamente a organização e recuperar os valores desviados.
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